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sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Lan em Fuga*


Um homem. Uma mulher. Prisioneiros na era da tecnologia. Não se tocam, não se vêem, mas comunicam, estão ligados.

Os objectos tecnológicos moldam a existência humana.
Quando falham, o mundo desaba.


Lan em Fuga propõe uma reflexão acerca das relações actuais.

Um telemóvel perdido impulsiona uma viagem ao interior humano, comandada por um homem ao piano. Pelo caminho, são revisitados objectos que foram apagados da memória pelo tempo. A máquina de costura, a máquina de escrever e o gira discos compõem o cenário. Já poucos sabem como funcionam. Mas são muitos os que vivem hipnotizados pelas mais recentes tecnologias.

Uma mulher perdeu o telemóvel e a ligação com o mundo. Lá dentro estavam todas as pessoas que conheço. A obsessão leva-a a uma busca incessante. Mas o confronto com a realidade serve de travão. A perda da dignidade humana faz com que questione se deve continuar a viver enleada nesta grande rede.

*Este evento está inserido na programação do festival InShadow.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

If I can fly*


A luz oscilante perturba o espaço mergulhado na escuridão.

Um corpo curvado e fechado sobre si mesmo permanece estático e indiferente à atmosfera que o envolve.
Mas a insistência da luz fá-lo desabrochar.


O corpo nu, marcado pela passagem do tempo, move-se, liberto das amarras invisíveis. Os limites dissipam-se e o corpo eleva-se.

Salpicos de cor contaminam o ambiente cinzento e frio. Uma explosão de emoções transporta o corpo para uma dimensão onírica. O denso torna-se harmonioso. As trevas transformam-se em passado. A plenitude é finalmente atingida.

O corpo permanece enclausurado nos seus medos. Afinal a viagem de libertação nunca aconteceu. Os fantasmas não permitiram. Tudo não passou de um sonho.

*Curta-metragem realizada por Yoakim Belanger, exibida durante o festival InShadow

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Kito Mosquito*

Chegam acanhados, sem saber ao certo aquilo que os espera. As canetas de cor, tesouras e colas, espalhadas pelas mesas, indicam trabalhos manuais.

Os pequenos artistas vão construir um bicho, o Kito Mosquisto. Depois partirão à aventura com o seu novo companheiro e poderão explorar um outro mundo, o da animação virtual.


Kito Mosquito é uma instalação multimédia que transporta as crianças para uma realidade geométrica. 

Os mais pequenos são desafiados a explorar os diferentes cenários e a interagir com os elementos que os constituem.


Rodrigo leva o seu corpo ao limite para alcançar a Lua. Ao tocar-lhe assusta-se. Um grande trovão ecoa na sala.

Sem a acção das crianças não existe jogo, explica Alexandre Lyra Leite, um dos autores do projecto e fundador da Inestética Companhia Teatral. A partir do Kito Mosquito as crianças podem explorar o seu corpo, assim como a sua criatividade. Mas não o fazem sozinhas:

Decidimos que tínhamos de encontrar uma personagem que guiasse a viagem. O mosquito é um ser irrequieto, e por isso achámos que tinha a ver com as crianças.

A luz, o som e a imagem digital estimulam o movimento. A curiosidade impede as crianças de ficarem paradas. Ao interagirem com os elementos transformam-se em personagens do jogo, tal como o Kito Mosquito.

*Este evento está inserido na programação do festival InShadow

domingo, 4 de dezembro de 2011

Quadratura do Espaço Curvo*

Cheguei atrasado,
Cheguei cedo demais, são frases que ecoam repetidamente pela sala.

O tempo persegue o indivíduo. Assim como o espaço. Os dois vectores moldam a existência humana.


O corpo hesita, questiona qual a postura a adoptar. Andar sobre uma linha recta ou correr em torno de um círculo? Fazer movimentos curtos e mecanizados, ou gestos fluidos, que demoram a rasgar o tempo?
Estes são alguns dilemas que marcam Quadratura do Espaço Curvo. No trabalho de Pedro Ramos a luz funde-se com a palavra, com o vídeo, com o corpo. Este é um espectáculo multidisciplinar.
A luz, projectada no chão, dita o caminho a seguir; as palavras, pronunciadas vezes sem conta, impõem um ritmo; o vídeo, exibido num plano superior, oferece uma outra perspectiva; o corpo, coberto por vestes brancas, desafia a gravidade e procura o seu lugar no tempo e no espaço.
No final emerge um grito. Um gesto de libertação, e não de dor. Libertação das teias complexas que compõem a vida.   
*Este evento está inserido na programação do festival InShadow

sábado, 3 de dezembro de 2011

Aurora Digitalis*


Uma tela humana virgem, por explorar, rapidamente perde a pureza. É contaminada por jogos de luz. O corpo alado dá lugar a um ser informe. Das trevas emerge um corpo animalesco, em constante mutação.


Ora se assemelha a um aracnídeo, ora aparenta não ter identidade.

Está vivo. Quanto a isso não restam dúvidas. E nele habita o pulsar da vida. O forte bater do coração, sempre constante, denuncia a sua vontade de viver.

Transformar o corpo real num corpo imaginado, é esse o objectivo de Alva Morgenstern. A criadora e intérprete de Aurora Digitalis apresenta alguma resistência em traduzir o seu trabalho por palavras. Há coisas que simplesmente não se explicam. Mas lá vai soltando algumas pistas.

O corpo não é visto como um todo fechado, mas como um elemento inserido num meio. Estamos perante uma simbiose entre corpo e ambiente. Por um lado, forças exteriores, intermitentes e por vezes epilépticas, invadem o corpo e determinam a sua forma. Por outro, o próprio corpo devolve à terra a energia que recebe.

Alva confessa que a ideia de projectar imagens no corpo humano surgiu por acidente. A bailarina austríaca, ao criar instalações de vídeo, constatou que a imagem projectada atingia o corpo de uma forma interessante. A partir desse momento dedicou-se a explorar esse conceito.

O processo de criação é algo incerto. Alva Morgenstern pode começar o seu trabalho a partir de um plano previamente determinado ou a partir do caos total. Mas o mais importante é o produto final. E o que chegou ao palco do Teatro do Bairro foi uma explosão de energia, proporcionada pela fusão de diferentes artes e tecnologias.

*Este evento está inserido na programação do festival InShadow